Identidade de Género em Menores: Evidência e Prudência
O Prof. Dr. Pedro Afonso critica o parecer da Ordem dos Médicos sobre identidade de género por considerar que este não reflete adequadamente a complexidade clínica nem a fragilidade da evidência científica disponível. Defende que a disforia de género deve ser encarada como uma condição médica associada a sofrimento e sublinha a elevada prevalência de comorbilidades psiquiátricas nestes jovens. Argumenta que a evidência sobre bloqueadores da puberdade e hormonas cruzadas é limitada, justificando uma abordagem mais prudente, sobretudo em menores. Destaca ainda a mudança de orientação em países como o Reino Unido, a Suécia e a Finlândia, que passaram a privilegiar o acompanhamento psicológico. Por fim, considera essencial realizar uma auditoria independente aos casos portugueses para avaliar a segurança, eficácia e qualidade das intervenções realizadas.